27 junho, 2011

Repórteres usam plataforma de ensino à distância do Centro Knight para aprender e praticar jornalismo investigativo

Corrupção, irregularidades e denúncias foram temas frequentes dos projetos de investigação que repórteres latino-americanos desenvolveram durante cursos intensivos e workshops online organizados pela rede Reporteros de Colombia (Repórteres da Colômbia) e o IPYS (Instituto Imprensa e Sociedade), do Peru, por meio da plataforma de ensino à distância do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas.

“A plataforma é ótima, é ótima!”, disse o repórter do El Nuevo Herald Enrique Flor, um dos instrutores do curso “Jornalismo Investigativo Avançado”, do IPYS. A plataforma “é uma ferramenta que nos estimulou”, disse a professora de jornalismo Claudia Fontalvo Polo, uma das três coordenadoras do curso “Como Investigar e Acessar Informações sobre Temas de Justiça e Paz: Ênfase em Terras”, organizado na Colômbia. “Sem ela (a plataforma), a iniciativa não teria sido possível”, acrescentou.

A plataforma de ensino à distância do Centro Knight é baseada em um sistema de gerenciamento de cursos de código aberto chamado Moodle, muito usado no mundo todo. Ela permite que os alunos assistam a palestras, divulguem documentos, participem de discussões e tenham conversas informais. É essa a plataforma que o Centro Knight tem usado para oferecer treinamento a mais de 5 mil jornalistas de vários países.

“Gostamos mais de duas coisas, principalmente. A primeira é que ela oferece diversas ferramentas e a segunda, que é muito simples, muito clara, fácil de usar, não apenas para o instrutor, mas para os estudantes também”, disse Miriam Forero, coordenadora de projetos da organização de jornalistas Consejo de Redacción — CdR (Conselho de Redação da Colômbia), uma parceira do Centro Knight na Colômbia.

O curso da Colômbia, parcialmente ministrado por jornalistas do CdR, conectou 41 repórteres de diferentes regiões do país por meio da plataforma virtual. Isso permitiu que os instrutores os orientassem enquanto eles investigavam se terras ilegalmente confiscadas durante conflitos armados estavam sendo devolvidas aos trabalhadores rurais, de acordo com a lei de restituição de terras recentemente aprovada na Colômbia.

“Estamos documentando e investigando o processo de restituição das terras — se há irregularidades ou se o trabalho está sendo bem feito, se as terras foram mesmo devolvidas para as pessoas“, explicou Fontalvo. “Constatamos que não, que o trabalho não está sendo bem feito… pelo contrário, eles estão matando quem diz ‘essa terra é minha’… Estão matando!”

Foi exatamente essa a descoberta feita pelo jornalista Ricardo Cruz ao investigar a morte de Yolanda Izquierdo, uma ativista do estado de Cordoba assassinada por tentar ajudar os trabalhores rurais da região a recuperar suas terras. “Eu tinha um tema, o curso ficou disponível, a oportunidade apareceu e eu aproveitei a informação e os conceitos que o curso me ensinou e as possibilidades que se abriram para mim pela Reporteros de Colombia,” disse Cruz, que trabalha para o Instituto Popular de Capacitação, em Medellín.

Em sua matéria, Cruz citou um estudo da Consultoria para os Direitos Humanos e o Deslocamento segundo o qual 50 trabalhadores rurais foram mortos entre 2002 e 2011 por causa de terras. Cruz afirma que o curso o ajudou a entender melhor a questão agrária ao ensiná-lo a “identificar fontes e metodologias de pesquisa”. O trabalho de Cruz acabou publicado pela Revista Gente, de circulação nacional na Colômbia.

Encontrar melhores formas de pesquisar e ter acesso a documentos se tornou um objetivo comum dos 18 repórteres de diversos países sul-americanos que participaram do curso do IPYS. Os jornalistas, que desenvolveram projetos de investigação relacionados a seus próprios países, constataram que a plataforma não só permitia assistir às aulas, mas trocar idéias. “A maioria dos projetos é sobre corrupção em empresas públicas. A plataforma (do Centro Knight) permitiu que nos reuníssemos em um só lugar”, disse Flor.

Na Venezuela, um jornalista investigou irregularidades no setor econômico; no Chile, outro descobriu problemas em projetos pós-terremoto e, no Peru, a concessão de licenças de pesca mostrou-se irregular. “Infelizmente, essas licenças nem sempre são respeitadas, porque as autoridades que controlam essas coisas são fracas e esse setor quase não é lembrado pela imprensa”, explicou.

Nos dois cursos, a plataforma do Centro Knight foi usada não apenas para o ensino de técnicas de jornalismo investigativo, mas para coordenar investigações de irregularidades em países latino-americanos. Mas o treinamento dos jornalistas é que se mostrou o maior ganho das iniciativas do IPYS e da Reporteros de Colombia.

Fontalvo contou que a Reporteros de Colombia costumava realizar workshops em áreas remotas do país, mas eles não foram tão produtivos e completos como o realizado por meio da plataforma virtual. “É um grande passo adiante, porque percebemos que precisávamos evoluir, que ir às regiões mais distantes e passar oito horas com eles e depois dizer ‘tchau’, bom, isso não levou a nada importante. Esses cursos, mais intensivos, realmente ajudam os alunos a produzir jornalismo de alta qualidade”.

“Estamos felizes de ver que nossa pioneira e inovadora plataforma de ensino à distância está sendo utilizada por outras organizações, não apenas para ensinar jornalismo investigativo, mas para produzir matérias investigativas, publicadas na América Latina”, disse o diretor do Centro Knight, Rosental Alves. “Não posso imaginar um uso melhor de nossa estrutura para o treinamento virtual de jornalistas”, acrescentou.